Vamos mudar?
- Vanessa Taís B. Cortesia

- 14 de jun. de 2019
- 2 min de leitura
Quando eu era adolescente, meu quarto era meu reduto. Nele eu podia fazer o que eu queria. Isso em tese, claro, pois minha mãe orbitava por ali quando achava que a bagunça estava demais, pedindo por organização. Tirando isso, eu podia fazer no meu quarto tudo o que eu tinha vontade. Uma das coisas que eu mais gostava de fazer era mudar os móveis de lugar. Meu roupeiro era fixo, por isso, era o único que “se safava”. De resto, de tempos em tempos, eu mudava.

Lembro até hoje da sensação gostosa que isso me gerava: “ah, tudo novo!”, “ah, tudo diferente!”. Que delícia! Talvez as mudanças externas espelhassem as minhas mudanças internas e isso me dava uma sensação maravilhosa de recomeço, de novas possibilidades. Talvez ali nascia uma nova versão de mim mesma. Um novo eu!
Depois do meu quarto, quando comecei a me “auto gerenciar”, as mudanças passaram para o meu cabelo. Sério! Cortei, pintei, encrespei, alonguei. Inventei moda de todo jeito. Já tive cabelo vermelho, escuro, mais claro, longo, curto, bem curto. Só nunca raspei. Tá aí uma possibilidade... quem sabe um dia?!
De lá para cá, percebi que mudança é meu sobrenome. Já mudei 11 vezes de casa, sendo que 5 delas em cidades diferentes. Um mês em Nova York conta? Nesse caso seriam 12 vezes. Algumas dessas mudanças foram planejadas, outras não. Mas o fato é que de certa maneira todas elas foram positivas e me deram a mesma sensação de quando mudava os móveis do meu quarto de lugar. Tudo novo, coisa boa!
Claro que algumas delas me geraram medo e insegurança. Talvez a maioria, de princípio. Mas depois, só coisa boa! E aqui eu percebo que algumas mudanças externas também provocaram algumas mudanças internas, que foram muito importantes e até fundamentais para meu crescimento pessoal.

Confesso que na minha última mudança de CEP estava exausta. Foram 5 mudanças em 5 anos. Mas agora, que já se passaram 3 anos da minha última mudança, as formiguinhas internas começaram a me coçar. As vezes, acho que o tamanho da minha liberdade interna não cabe num mesmo espaço físico por muito tempo. Precisa se renovar. Novos ares, novas cores, novos significados... reciclagem. Quando a gente muda muito, guarda pouco. Guarda só o necessário. Isso é fantástico!
Você já parou para pensar o que de verdade você precisa manter? Isso serve para seus pertences e para suas crenças. Talvez, mudar possibilite a gente se desfazer do que não quer mais para ficar só com aquilo que de verdade faz sentido. E nesse processo um novo eu se restabelece. Um novo eu de inúmeras novas possibilidades. E aí... vamos mudar?



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